Preto ou branco? Bom ou mau? Certo ou errado? Aqui ou lá? Esse ou aquele? E que tal um pouco de cada? O que você acha de não ter que ser uma coisa só sempre?Acredito que em sua vida, assim como na minha, não seja novidade esse tipo de questionamento. Há sempre dois lados. Bom ou mau, certo ou errado etc. Não raras vezes surge a dualidade com uma pitada de chantagem emocional: de qual lado você está? Do meu ou do deles? Como é cruel a idéia de gostar mais ou menos de alguém dependendo da opinião sobre um assunto qualquer.
Mesmo não havendo essa chantagem descaradamente, os lados, partidos, grupos falam alto em nosso cotidiano. Acabamos unindo-nos às pessoas que compartilham algumas opiniões aparentemente semelhantes. A partir daí é comum que os indivíduos comecem a suprimir opiniões discrepantes do grupo, pois um fantasma de censura e rejeição passa a estar presente. Infelizmente, as pessoas que não reprimem seus pontos de vista são mais raras do que eu gostaria. Há poucas pessoas dispostas a se relacionar com opiniões diversas. Alguns preferem calar-se e engolir pronto o que o meio oferece. Outros optam em não dar sua opinião, mas coagir o outro a engoli-la. Definitivamente não há interação saudável partindo dessa disputa.
Esses partidos se cristalizam, parece que nossa mente foi bem condicionada a pensar em dualidades, sempre distantes e separadas. Precisa existir mesmo um oito e um oitenta? Não pode haver inúmeras possibilidades? Talvez seja mais difícil de dar um nome, mas eu continuo achando que excesso de rótulo é prejudicial ao bem-estar. Outra manifestação desses antagonismos forçados no nosso cotidiano é quando há algo errado. Quando surge um problema ou acontece uma coisa ruim, parece que a humanidade se divide em dois grupos: aqueles que fazem parte do problema e os que o solucionam. Se não me falha a memória há um ditado popular que fortalece esse tipo de comportamento. Se você souber escreva-me como um comentário, por favor. Mas assim que escrever pare e relativize essa afirmação tão extremista.
O medo de ser enquadrado como parte do problema muitas vezes faz com que algumas pessoas desenvolvam ferramentas, mecanismos para fugir desse estigma. Alguns se tornam campeões em resolver problemas, uma vez que quem resolve as coisas erradas não pode ser o causador delas. Outros viram exímios acusadores, verdadeiros dedos indicadores numa inquisição sem fim. Há ainda quem reclame, como se essas queixas lhe pusessem na posição oposta ao problema. Assim, como em diversas outras situações, vamos nos habituando a usar desculpas, atalhos, rotas alternativas... tudo para não lidar com os fatos.
No fim das contas, e daí se você prefere isso ou aquilo? E daí se você não prefere nenhum dos dois ou ainda prefere um pouco de cada? Qual o problema de hoje querer um e amanhã outro? Talvez haja algum empecilho pra você, então tudo bem. Pode ser que não haja, mas você nunca tenha pensado sobre isso... quem sabe até hoje tenha escolhido um lado só porque aprendeu que tem que escolher.
Caio Melo
caio.melo@uni-yoga.org.br
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